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Crônica de quem não tem nada a ver com o peixe, mas teme o retrocesso

Por falta de visão e de coerência de quem está lá tudo pode acontecer, inclusive um trágico retrocesso.

 
     

Há várias maneiras de ver o mundo, a pior delas é a partidária. Não que os partidos não tenham seus binóculos. Mas por que  a obsessão do poder entorpece e alucina. Tal qual hordas de interesses pessoais, as legendas de hoje não têm nenhum significado.

E até agridem seu enunciado. Daí o constrangimento das coalizões governantes, que se formam em torno de prebendas e vantagens e não de um programa de trabalho, forjando uma espécie de loteamento compulsório do poder, sem o qual os parlamentares picaretas  inviabilizam qualquer governo.

 O modelo clássico envelheceu. Não é o partido que orienta o governo. É o contrário. O poder dos aglomerados fala mais alto e constrói o discurso a ser pronunciado pela militância. O discurso ou o silêncio obsequioso. Nesse carnaval de fantasias ridículas, tudo o que cada um quer é resolver seu problema. Seu, pessoal, em primeiro lugar.

"Ocupar seu espaço" - como está no jargão.  No melhor dos cenários o filiado age como parte de uma torcida desorganizada. Assimila sua parcialidade com uma diferença: é difícil um flamenguista virar a casaca; já não se pode dizer o mesmo na política.

Partidos incoerentes e sem carismas são paixões passageiras. Atraem pelos sinais de poder e afastam quando frustram expectativas.

Mesmo assim, quem tem as rédeas pode perpetuar-se pelos anos próximos. É assim, hoje em dia. Faça alguma coisa e pronto, já fez muito. Quem foi derrotado ontem pelo desgaste inevitável não está de todo descartado. Por que há dois fenômenos aparentemente desassociados, que não se enquadram na mesma lógica:

1. O povo é governista, em sua maioria. Os governos é que não são povistas.

2.  Não é o fulano que ganha uma eleição; é sicrano que perde.

Tratar desses temas assim é  cosmético e superficial. Mas esses dias medíocres mantêm a pauta nesse patamar. É tudo conforme a sina esperta, essa atração fatal pelos podres poderes: tudo que um prócer quer, venha de onde venha, é conquistá-los, neles permanecerem ou a eles retornarem.

Os discursos não irradiam propostas. Não emanam de concepções ideológicas, mas da percepção do momento. Para detectá-las, contratam pesquisas e se entregam docilmente aos palpites do marqueteiro, a peça mais importante da engrenagem eleitoral.

Cujo papel não se esgota no dia do voto. Governantes e oposições têm seus marqueteiros como gurus de todas as horas. Se o que perseguem é apenas a vitória a qualquer truque esse especialista é quem dá as cartas.

Como disse, se tudo se resume em vencer, não importa que monstros estão criando, principalmente se esses monstros estão dando certo. Quanto maior a multidão mais carece de pirotecnias envolventes. Mais se investe na mistificação inescrupulosa, jogando no imediato e desprezando o duradouro.

Aí entra o componente trágico: a despolitização grassa como produto corolário da sociedade delirantemente consumista. Pessoas de todas as classes e de todas as escolaridades viajam nos sonhos tecidos pelas máquinas de forjar desejos e comportamentos. Concentram-se em projetos pessoais, muitas vezes, acima de suas posses. O desafio de ter o que outros têm ou ainda não têm fascina a quem se depara com ofertas irrecusáveis.

Cidadãos despolitizados são a alegria das classes exploradoras e de seus prepostos nos salões do poder. Nessas pesquisas recentes detectaram o vexame: 56% dos ouvidos disseram que não estão interessados nas eleições.

É a posição de uma população dominada, empanturrada de atrativos alienantes. São essas pessoas que decidem na contabilidade das urnas. Os dirigentes partidários sabem disso, mas mesmo os que se dizem ideológicos nada fizeram para reverter essa trama.

 

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Pedro Porfírio é jornalista, escritor, dramaturgo e político. Foi vereador e Secretário do Estado do Rio de Janeiro . BLOG DO PORFÍRIO

 
   
 
 
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